segunda-feira, setembro 18, 2006

Elizabethtown (2) algumas cenas...

Elizabethtown: algumas cenas e capítulos...

No primeiro blog sobre o filme, não quis adiantar a estória, apenas versei sobre a moral do filme. Nesse momento, talvez você já o tenha visto, então neste de hoje quero registrar minhas reflexões acerca de algumas cenas ou capítulos em especial. Fico receptiva a todos os comentários seus, cada qual com a sua interpretação...
As cinzas que Drew vai espalhando pela América - na parte da longa viagem de carro de volta para casa que fará carregando as cinzas, Drew segue rigorosamente a rota projetada no "roteiro/mapa" de Claire; nos lugares mais marcantes a que vai, ele espalha um pouco das cinzas: no Rio Mississipi, na frente do hotel onde foi assassinado Martin Luther King, entre outros. Aqui, a minha leitura é de como o americano ama suas paisagens, a sua história e ama, sobretudo, ser patriótico, ao ponto de amalgamar as cinzas à paisagem histórica do país. Isso do ponto de vista sociológico. Mas psicologicamente, essas cenas das cinzas às paisagens me remeteu à generosidade do personagem de Drew, que vai realizar com o pai em cinzas, a grande viagem pela estrada que ele queria ter feito antes, com o pai em vida, "levando" seu pai a todos os lugares, literalmente. Uma das cenas mais marcantes do filme, onde nenhuma é previsível.
A longa jornada de carro de volta para casa - Esse é o capítulo final, em que Drew aceita seguir o mapa de viagem elaborado por Claire. Dela faz parte as cenas das cinzas espalhadas pelas paisagens. O que mais me despertou atenção nesse trecho, foi a excelente descrição que Claire faz dos lugares que ela sugere visita. É o tipo de marketing inteligente, em que o enredo vai sendo tecido de forma espetacular, porém despretensiosa, só que a fotografia e a narrativa me "sugaram" completamente, despertando em mim uma curiosidade repentina de fazer o mesmo percurso, na ordem que ela propõe, da forma como ela propõe. É um guia oferecido por quem já esteve nesses lugares, indicando onde ir, o que comer, o que comprar, tudo isso de maneira leve, quase despropositada. Mas muito, muito atraente. Depois disso tudo, gostaria muito de um dia fazer essa pequena jornada, pra ver as paisagens tais quais estão descritas, marcantes, imprescindíveis de serem visitadas.
Capítulo do "Memorial" - Em Rapsódia de Agosto, de Akira Kurosawa, mostra um capítulo sobre o ritual de velório dos japoneses, em que é servido aos visitantes um pouco de alimento: bolinho de arroz, chá, sopa, para tornar a longa despedida menos fatigante. Assim como em Rapsódia, em Elizabethtown temos um capítulo dedicado ao ritual de homenagem ao falecido, antes do enterro - uma espécie de velório-homenagem, em que os presentes fazem uma despedida, com discursos de agradecimentos, de memórias passadas, músicas que eram de gosto do morto, música ao vivo, tudo para tornar a despedida um momento inesquecível, único, marcante. Isso mostra um ritual cultural dos americanos do sul, e mais precisamente, nesse filme o da pequena cidade de Elizabethtown (ou Etown), que fica em Kentucky. Sinceramente, não sei até que ponto toda a forma ilustrada ali seja factual ou fantasiosa, mas independentemente disso, a visão de despedida e homenagem de um cerimonial de passagem é, no mínimo, muito curiosa. Pesquisarei para saber se na vida real é feito tudo dessa mesma forma.
Capítulo do Memorial (II) Cena da homenagem de Holly Baylor ao marido - Susan Sarandon é Holly Baylor e nessa cena ela sobe ao palco para prestar sua homenagem ao marido. Receosa pela suposta "intolerância" dos Baylors por ela ter "tirado" o marido de Kentucky e o "levado" para a Califórnia, Holly explica que havia enviado o filho justamente pelo receio da rejeição. Ela divaga sobre o que restou da sua vida, após a morte do marido e conta situações inusitadas que enfrentou desde então, conseguindo atrair a atenção de sua platéia. Ela os cativa, todos a ouvem. Finalmente, ela dança "Moon River" sapateando, coisa que ela conta ter aprendido depois da morte dele. E realiza o próprio sonho dedicando a música e a dança ao marido. Dançando leve e linda, arranca aplausos entusiasmados de sua platéia, agora já unificada em torno do homenageado. Do ponto de vista emocional/psicológico essa cena permeia os anseios do núcleo familiar composto por Drew, sua irmã e sua mãe, sobre uma recorrente discussão sobre eles optarem pela cremação, contra o desejo da família do marido de enterrá-lo tradicionalmente em Elizabethtown. Houve uma tensão que liga o filme desde seu início até o momento em que será o "enterro". Drew segue apreensivo, observador, até que aos poucos, tudo se transforma em um grande momento de saudades, de declarações de amor, de companheirismo, de simpatia e empatia, e até de uma grande alegria, tornando a despedida a Mitchell Baylor algo menos doloroso possível e com o espírito divertido que o mesmo vivera.
Realmente... um filme sensacional!

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