sábado, outubro 07, 2006

O que nos dizem os cartazes dos trens...

Encontro-me na plataforma do metrô. O trem vem chegando. Então reparo que na parte externa do vagão foram colados vários adesivos gigantes, verde-fosforescente, de setas gigantes indicando à direita e à esquerda, respectivamente ao lado de cada porta, com a seguinte instrução: "AO ENTRAR NO TREM, VÁ PARA O CORREDOR."


Pensará o leitor: o que há de especial nisso? Pergunto: qual a finalidade dessa instrução?


Para os que não conhecem os vícios e os maus hábitos dessa sucursal da terra-de-ninguém, lamento informar que é cada vez mais freqüente observar nos trens e nos metrôs ver pessoas entrarem no vagão e mesmo tendo espaço à vontade nos corredores dos vagões, elas se estacionam à porta, e nem vão descer na estação seguinte, congestionando a entrada e a saída, atrapalhando o fluxo de passageiros que querem descer ou subir. Não vou querer nem entrar no mérito das razões, pois a menos que o trem já esteja completamente lotado, nada justifica a permanência dessa gente mal-educada plantada à porta. Me irrita deveras. Por inúmeras vezes, já cheguei a abordar: "vai descer no próximo?", "não...". Vê? Que inconvenientes!

É lamentável que a Companhia do Metrô tenha que afixar cartazes para educar passageiros. Isso demonstra o quanto ainda nos falta formação, educação, bom senso, senso de civilidade e convívio em comunidade. Esse é o nível da grande massa freqüentadora de transportes coletivos dessa cidade louca de gente alucinada. Um bando de gente mal-educada, que nivela nosso hábito de convívio social num patamar muito aquém de outros países.

Basta uma simples comparação. Recentemente, em vagões de trens suburbanos e/ou subterrâneos de Chicago, por exemplo, o cartaz institucional diz: "Se você perceber algum pacote ou bolsa abandonado no vagão, por favor, chame imediatamente um funcionário da companhia ferroviária para as devidas providências. Não toque no pacote. Pode representar risco. Os funcionários estão treinados para lidar com eventuais ocorrências dessa natureza." - num claro alerta aos riscos de ameaça de bombas em trens. Já em Toronto, por exemplo, o cartaz institucional nos trens é produzido por uma organização não-governamental, e oferece ajuda de recolocação profissional, de moradia, alimentação, regularização de eventuais situações de imigração irregular. Isso revela o interesse e a necessidade que o Canadá tem em abrigar imigrantes, e sua postura diante da realidade dos mesmos.
Podemos observar que os cartazes em questão revelam as diretrizes que regem cada cultura. O de Chicago mostra a permanente preocupação dos norte-americanos com eventuais atentados terroristas, enquanto o de Toronto aponta para a disponibilidade de ajudar quem está em situação ilegal no país, que depende em grande parte da mão-de-obra imigrante. Mas o que dizer de um cartaz cujo conteúdo ensina educação comportamental? Não adianta! Isso nos faz anos-luz atrasados em relação a outros países, não sabemos nem nos comportar educadamente num trem. A prova cabal está ali, na instrução da porta: ao entrar, vá para o corredor, cambada de gente burra!

E para comprovar essa tese de que agente ainda não é suficientemente educada para o convívio civilizado, outra coisa que noto é que essas mesmas pessoas burras pegam a escada rolante e ficam todas amontoadas numa bagunça sem-fim. Em lugares civilizados do mundo, as pessoas sobem na escada rolante e se posicionam à direita, uma pessoa atrás da outra, deixando o vão esquerdo livre para os que queiram passar em movimento. São as mesmas que andam no ônibus e ficam paradas nas escadarias da porta, sendo que nem vão descer no ponto imediatamente posterior; ou ainda sentam com os joelhos virados para o corredor, conversando com os colegas, como se estivessem no corredor do quintal da casa da mãe joana, impedindo que os outros usuários que estão de pé possam ter passagem livre, incomodando os demais usuários.


Isso tudo é só para dar uma pequena e triste ilustração do quanto ainda temos à frente para desenvolvermos nosso senso de convívio em comum, que é imprescindível para que possamos nos pôr no lugar de outrem e respeitar o limite, e conseqüentemente consigamos banir essa mentalidade viciada de "cada um para si, deus para todos", de cunho individualista e egoísta, o que impede nosso crescimento como gente civilizada e inteligente.

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